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É uma das escritoras contemporâneas com maior
projecção nacional.
Nasceu no Porto em 6 de Novembro de 1919, numa família aristocrática de
ascendência dinamarquesa. Viveu no Porto até aos dez anos e, posteriormente, em
Lisboa. Colaborou em revistas literárias: «Cadernos de Poesia» (1940-42),
«Árvore» (1951-1958) e «Távola Redonda» (1950-1954).
A sua obra abrange a poesia, o conto, sobretudo infantil, o ensaio e a tradução.
No seu mundo poético, o mar, a terra, a casa, a infância e a família ocupam um
espaço privilegiado. Teve um papel importante de intervenção social e cívica
durante o período antes do 25 de Abril. Posteriormente, foi deputada à
Assembleia Constituinte pelo Partido Socialista. Contudo, é como poeta que se
destaca: a sua vasta obra é considerada excepcional e, por isso, nunca é demais
lembrar a sua poesia.
...que as palavras da poetisa tenham o mesmo
efeito em ti do que em mim...
"A coisa
mais antiga de que me lembro é dum quarto em frente do mar dentro do qual
estava, poisada em cima de uma mesa, uma maçã enorme e vermelha. Do brilho do
mar e do vermelho da maçã erguia-se uma felicidade irrecusável, nua e inteira.
Não era nada de fantástico, não era nada de imaginário: era a própria presença
do real que eu descobria. Mais tarde a obra de outros artistas veio confirmar a
objectividade do meu próprio olhar. Em Homero reconheci essa felicidade nua e
inteira, esse esplendor da presença das coisas. E também a reconheci intensa,
atenta e acesa na pintura de Amadeo de Souza-Cardoso. Dizer que a obra de arte
faz parte da cultura é uma coisa um pouco escolar e artificial. A obra de arte
faz parte do real e é destino, realização, salvação e vida.
Sempre a poesia foi para mim uma perseguição do real. Um poema foi sempre um
círculo traçado à roda duma coisa, um círculo onde o pássaro do real fica preso.
E se a minha poesia, tendo partido do ar, do amor e da luz, evoluiu, evoluiu
sempre dentro dessa busca atenta. Quem procura uma relação justa com a pedra,
com a árvore, com o rio, é necessariamente levado, pelo espírito de verdade que
o anima, a procurar uma relação justa com o homem. Aquele que vê o espantoso
esplendor do mundo é logicamente levado a ver o espantoso sofrimento do mundo.
Aquele que vê o fenómeno quer ver todo o fenómeno. É apenas uma questão de
atenção, de sequência e de rigor...".
Sophia de Mello Breyner |
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